Todo mundo está cansado de ouvir que os Beatles foram e sempre serão uma das maiores bandas do mundo. Ok, mas por que será? Numa década que não tinha nem metade da tecnologia que temos hoje, o que fez os garotos ingleses se tornarem um fenômeno criador de hinos que fazem gerações cantarem juntas?
Paul McCartney e Ringo Starr são provas vivas de um rock que revolucionou a cena musical do planeta. Lá nos anos sessenta, no auge da Beatlemania, junto com seus colegas de banda George Harrison e John Lennon, o mundo inteiro viu rapazes de cabelo penteadinho tomarem conta das paradas de sucesso... mal sabia-se que não era algo de momento.
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| Quarteto chegando nos EUA Foto: geeks of doom |
Quando Lennon disse que "somos mais populares de Jesus Cristo", ele não fazia ideia do quão polêmica essa frase seria.
O que ele também não sabia é que, tal como Jesus que move multidões até hoje, sua banda faria um sucesso tão estrondoso que os netos e bisnetos dos fãs que cantavam fervorosamente os versos de Love Me Do cantariam o igualmente fervoroso refrão de Hey Jude nas Olímpiadas de 2012, mais de 50 anos depois de gravarem seu primeiro álbum juntos.
Tal como os Beatles nos anos sessenta, os artistas que estouram nas paradas de sucesso atualmente também não sabem usar o poder influenciador que têm em mãos. Não é preciso ser fã do quarteto britânico para saber da influência deles na cultura, não só musical e inglesa mas, se é possível assim dizer, mundial.
Curioso, no entanto, é comparar a situação musical dessa época e a atual. Os Beatles fizeram-se famosos com um bom agente, músicas que cativaram os ouvintes em pubs, que começaram a lotar cada vez mais. As canções começaram a tocar incessantemente nas rádios. Botaram suas músicas como trilha sonora de filmes estrelados por eles mesmos.
Porém, não havia retweets no Twitter, compartilhamentos no Facebook, nem muito menos canais de música para que os clipes pudessem ser divulgados. Na verdade, como foi dito aqui no blog, no post História e ciência misturadas com a música, foram os próprios Beatles que passaram a usar clipes como forma de divulgação, já que a Beatlemania alcançava um ponto em que eles não podiam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, então gravavam performances para serem passadas em outros lugares.
Porém, não havia retweets no Twitter, compartilhamentos no Facebook, nem muito menos canais de música para que os clipes pudessem ser divulgados. Na verdade, como foi dito aqui no blog, no post História e ciência misturadas com a música, foram os próprios Beatles que passaram a usar clipes como forma de divulgação, já que a Beatlemania alcançava um ponto em que eles não podiam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, então gravavam performances para serem passadas em outros lugares.
Muitos acreditam que um dos principais motivos pela ascensão da banda se dá porque, em 1963, não havia bandas que falavam de amor de uma forma tão delicada e com uma qualidade musical como as dos Beatles. A Beatlemania pode ser comparada às febres atuais? Claro. A histeria causada é praticamente a mesma. A rapidez com que se chegou ao sucesso, idem.
Mas há algo diferente. A sensação que se tem é que, apesar de qualquer febre da moda, que vá de Lady Gaga a Justin Bieber, jamais qualquer outro artista será capaz de alcançar o que Lennon, Ringo, Harrison e McCartney fizeram. A altura dos gritos das fãs pode até ser comparável, mas será que o nível de influência na História será o mesmo?
Por exemplo, as boybands voltaram à moda em 2012 com os garotos do One Direction e The Wanted e, pouco mais de 10 anos antes, N'Sync e Backstreet Boys tocavam até cansar. Na rádio, era só isso que se ouvia. Lotaram estádios, venderam milhões de cópias de CDs e encheram a parede dos quartos de milhares de adolescentes. No entanto, acabou rápido. E que legado eles deixam?
O que acontece, na verdade, é que o mercado musical passa por uma reciclagem de tempo em tempo. As boybands de 10 anos atrás são águas tão passadas que poucos lembram-se dos nomes dos integrantes, com exceção de um ou outro que fez a carreira solo dar certo. Permanecem gravados na História da indústria musical e cultural aqueles que fazem algo diferente, que não se tornam mais um no bando.
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| Fãs esperam pela banda - Divulgação / Pandora |
Treze álbums de estúdio entre 63 e 70 (sim, oito anos), a parceria Lennon/McCartney, o ritmo cativante, a letra simples mas com uma mensagem: são todos dados que compõem a febre. De alguma forma, nenhum outro grupo no mundo pode dizer que tem uma lista quase interminável de canções que viraram hinos: Hey Jude, All You Need Is Love, Help, Let It Be, Yesterday, Yellow Submarine... Será que haverá outra banda que anunciará seu fim com uma frase tão marcante quanto "o sonho acabou"?
Enfim, fazem história aqueles que têm talento e sabem usá-lo. Esses permanecem.
Os Beatles permaneceram.
E a Beatlemania foi mania porque era História sendo escrita, cantada. Amada.


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