Os Titãs fizeram show neste dia primeiro na Fundição
Progresso no Rio de Janeiro. A turnê comemorativa do álbum Cabeça Dinossauro
trouxe hits como "Diversão", "Polícia", "Flores",
"Sonífera ilha" e "Bichos escrotos". Além disso, chega às
lojas ainda este mês o DVD "Cabeça Dinossauro no Circo Voador",
gravado ao vivo em junho deste ano.
G1 — Como foi o show comemorativo em São Paulo?
Paulo Miklos — Foi muito emocionante. Charles se lembrou de que foi a
primeira vez, desde o ‘Acústico’, que nos reunimos todos. Foi um momento muito
especial. Numa primeira parte, tocamos com a formação atual. Depois, recebemos
os ex-integrantes. A partir daí, é que nem andar de bicicleta: você não
esquece. E repertório é o que não nos falta. Se há um patrimônio destes 30 anos,
acho que é esse.
G1 — Como surgiu a ideia da reunião?
Miklos — Surgiu no ano passado. Quando caiu a ficha de que iríamos
completar 30 anos, começamos a considerar que uma comemoração seria justa.
Então conversamos a respeito. Nando nos convidou para um jantar em sua casa, em São Paulo, para um
primeiro bate-papo. Falamos sobre tudo: as músicas, os desejos de cada um, o
que tocaríamos...
G1 — E como foi o reencontro com os ex-integrantes?
Miklos — Foi tranquilo, mas não tão fácil, por causa das agendas de cada
um. O Arnaldo tinha acabado de lançar um novo trabalho. E o Nando está lançando
agora. O Charles também tem as atividades dele, inclusive na TV. Conseguimos
apenas estas duas datas, para fazer Rio e São Paulo. E, mesmo assim, o Nando
não vai poder participar no Rio. Mas é algo que a gente não podia deixar
escapar. Comprovamos isso em
São Paulo, depois que nós nos encontramos no palco, tocando
diante do público. Foi um momento realmente único. Pensamos: "Puxa, ainda
bem que conseguimos concretizar isso."
G1 — Há algum tipo de homenagem a Marcelo Frommer (o
guitarrista morreu em 2001, aos 39 anos, depois de ser atropelado na capital
paulista)?
Miklos — Além de dedicarmos o show a ele, fazemos uma homenagem durante
"Epitáfio", canção composta por Sérgio Britto e que faz parte do
repertório do álbum "A melhor banda de todos os tempos da última
semana". É marcante, porque foi o último disco que a gente fez com ele.
Apesar de não ter participado da gravação, colaborou com as composições e
arranjos. O acidente ocorreu na vérpera da viagem para o Rio, onde gravaríamos.
G1 — A turnê em que tocam o repertório completo do disco
"Cabeça dinossauro" vai virar DVD?
Miklos — Sim. A turnê foi um fenômeno. Pegou a gente de surpresa. Vai se
chamar "Cabeça Dinossauro no Circo Voador". Foi gravado há alguns
meses, no Rio de Janeiro. A previsão de lançamento é para novembro.
G1 — O que passa pela sua cabeça quando fala-se em 30 anos
dos Titãs?
Miklos — Vivemos uma aventura rodando o Brasi e o mundo durante todos
estes anos. É um privilégio poder conhecer esse país, que é um continente. E
são gerações que passam na frente do palco. A gente assiste isso tudo lá de
cima. Tem sido fantástico. Fazemos isso como um presente para o público, para
os fãs. É por causa deles que estamos há 30 anos rodando. E essa coisa de
longevidade tem muito a ver com a satisfação que temos em tocando juntos. Hoje
os Titãs são outros, renovados. Fazemos uma música sem muita firula: sintética,
ácida, cortante e objetiva.
G1 — E a relação com o público? Ainda é a mesma?
Miklos — Por vezes, deixamos o público órfão mesmo, porque buscamos
guinadas estilísticas muito radicais. Estouramos com uma balada no momento em
que queriam rock and roll. Pesamos a barra e fizemos um disco escatológico na
hora em que estava todo mundo estava amando a banda. Fizemos este tipo de coisa
porque foi necessário. Agora a gente colhe um pouco o fruto do fato das pessoas
terem percebido que valeu a pena acompanhar nossa carreira. Porque, com todos
os descaminhos, continuamos traçando uma linha incerta, porém decidida. E para
a frente.
G1 — E o futuro?
Miklos — Planejamos um grande álbum para o ano que vem. Um disco de
músicas inéditas, como os Titãs sempre fizeram, mas com a formação nova.
G1 — Quais serão as influências deste próximo trabalho?
Miklos — A essa altura, acho que vai ter muita influência dos Titãs
(risos).