segunda-feira, 20 de agosto de 2012

História e ciência misturadas com música

No auge da era digital, é praticamente impossível um artista divulgar seu álbum sem lançar um videoclipe, seja na internet ou nos canais de música. Esse artifício, no entanto, só começou a ser utilizado com Jailhouse Rock, do Rei Elvis Presley, em 1957 e foi se transformando e revolucionando o mundo da música. 


A definição atual de videoclipe se dá pela junção da melodia, letra e imagem, de forma que, montados de acordo com o conceito trabalhado pelo diretor e pelo artista, interajam e criem coesão entre si. Um storyline pode ser criado para que haja ou não uma linearidade. 

Ainda nos anos 1920, diretores cinematográficos tentaram unir música e imagem para compôr uma história. A melodia junta-se ao cenário e à atuação como mais um detalhe, formando a mis en scene. Mais tarde, as trilhas sonoras passariam a ser parte fundamental de um filme.

Não muito tempo depois de Elvis, os Beatles passaram a usar videoclipes para ajudar na divulgação de seus trabalhos, no auge da Beatlemania. Por serem aclamados mundialmente, o quarteto inglês não tinha espaço na agenda suficiente para estar em todos os lugares, então gravava-se uma apresentação da banda para que ela pudesse ser reproduzida na televisão.

A MTV americana desde 1981 era uma das principais responsáveis pela divulgação dos vídeos. Hoje, no entanto, ela compete espaço com o Youtube, Vevo e outros canais de música, como a VH1 e a MuchMusic (Canadá). 

Duran Duran e Devo foram duas das primeiras bandas do início dos anos 80 a fazer sucesso com videoclipes na MTV americana. Porém, foi só em 1983 que o também Rei, mas do Pop, Michael Jackson revolucionou o videoclipe: agora, ele passa a ter uma história agregada à canção. Thriller é uma superprodução de 14 minutos com direito a maquiador ganhador de Oscar e a diretor renomeado. 



Já nos anos 90, o Nirvana de Kurt Cobain e Dave Grohl levou o grunge às paradas de sucesso com Smells Like a Teen Spirit. O clipe não tem nada de comercial: é feito de sequências confusas e cenas com bastante fumaça a ponto de não se conseguir enxergar os membros direito. No entanto, foi o primeiro hit do grupo. Na mesma década, Freedom do George Michael, junto com os mais diversos trabalhos de Madonna, traz o sexy para dentro dos videoclipes. 

O formato foi sendo adaptado até chegar no que se conhece hoje em dia. O fato de se viver em um mundo digital influenciou bastante esse processo. Ao longo dos anos, buscou-se uma dinâmica para os vídeos, de forma que o troca-troca de planos fosse acelerado, misturados e não necessariamente lineares. Grande parte dos videoclipes de sucesso da atualidade são planos alternados entre uma história referente à música e a banda/artista tocando em um lugar separado. 

A estética dos videoclipes também foi revolucionada e revolucionou. Filmes como Corra, Lola, Corra (Run, Lola, Run, 1998, Tom Tykwer) e Clube da Luta (Fight Club, 1999, David Fincher) têm um quê dessa estética: não possuem linearidade, seus planos são desconexos e acelerados, além de terem influência de diversas culturas. 

Além do Cinema, os videogames e campanhas publicitárias também foram revolucionadas. A trilha sonora dos jogos trouxe aos desenvolvedores a necessidade de criar um vínculo entre a música, jogo e a divulgação do produto, que só aconteceu quando foram capazes de juntar a estética do videoclipe à essa mistura. No Oriente, as grupos k-pop (pop/rock coreano) são fundamentais nesse processo. De volta ao Ocidente, brincando um pouco com a linha dos jogos, a banda Red Hot Chili Peppers produziu um clipe em 1999, no qual os integrantes da banda são os personagens de um jogo. 



Californication é um clipe que se utiliza de recursos gráficos mais digitais e recentes. É um dos primeiros clipes de sucesso que traz consigo o uso de computadores e tecnologia mais pesada, que já é recorrente nos dias de hoje. 

Levando em consideração os clipes das paradas de sucesso atuais, que é através dos videoclipes que muitas pessoas conhecem suas bandas favoritas e a tecnologia à todo vapor, é impossível não se questionar quanto ao futuro dessa arte.

O 3D, por exemplo, já vem sendo tendência no Cinema e isso provavelmente se reverterá para o videoclipe. Muitos acreditam que as interfaces com sensores que levam à realidade virtual farão parte de um futuro em que a computação gráfica poderá alimentar a indústria videomusical. 

Parece que o futuro dos videoclipes estão na mão da tecnologia e da ciência da computação.

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