sábado, 8 de setembro de 2012

Politicamente engajados.

A música, como sabemos, faz multidões se mobilizarem e cantarem como uma só. Então, por que não fazer os fãs se concientizarem de causas políticas e sociais, por exemplo? As seguintes bandas usaram o poder de sua voz exatamente para isso. 

Aqui no Brasil, os Paralamas do Sucesso, além de ajudarem em programas de ajuda à crianças com necessidades especiais - tal como a mãe de Cazuza criou uma fundação para ajudar as vítimas da Aids -, a banda brasileira tem, por exemplo, uma música escrita por Herbert Vianna, de 1995, falando de um escândalo do Congresso Nacional. "Luis Inácio (300 picaretas)" conta com os seguintes versos: "Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez/ O congresso continua a serviço de vocês/ Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão/ Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição". Eles falam sobre o caso "Anões do Orçamento" e do ex-presidente Lula dizendo que havia cerca de 300 picaretas que defendiam apenas seus próprios interesses na casa. 

Provavelmente não há banda americana que criticou tanto o governo Bush (2001-2009) como Green Day. 

O opera rock "American Idiot" foi lançado em 2004. O vocalista, guitarrista e compositor da banda, Billie Joe Armstrong diz ter se inspirado em propagandas comunistas chinesas para desenhar a capa do CD, que contém um coração em forma de bomba-relógio. Apresentando o anti-héroi Jesus Of Suburbia, Whatsername e St Jimmy, as canções desenvolvem-se entre as antíteses de amor e ódio, ética e fé. Com personagens claramente perdidos e perturbados pela ausência de paz em suas vidas, a banda pretendia cutucar o governo vigente, que seria reeleito no ano de lançamento do CD. As letras falam sobre os bombardeios, sobre os jovens que foram para a guerra do Iraque e Afeganistão e chama atenção para a ganância cega pelo petróleo dos americanos. 

Com o quinto álbum de estúdio, a britânica Muse passou a assumir uma posição de banda politicamente crítica, principalmente quando se trata de algum tipo de opressão. O sexto CD, que será lançado em Outubro desde ano, não sairá dessa linha. O nome? "The 2nd Law" (A segunda lei), se referindo a lei da termodnâmica, querendo passar a noção de que o mundo não se aguenta mais, ainda mais se manter as regras capitalistas atuais. Logo, a banda pragmatiza, o caos se instaurará. Aliás, ele já é sentido nas melodias das músicas que já saíram. 

Se o Green Day tem algum concorrente em criticar mais o governo americano, esse concorrente é a banda armênia-americana System Of A Down. Com melodias que se perdem entre os estilos de metal pesado e alternativo, as letras são cantadas de forma impressionantemente rápida e direta, com cunho (entre outros) político, passando pela questão do genocídio armênio de 1915 e da Guerra ao Terror. A canção "Boom!", por exemplo, fala sobre a Guerra do Iraque, instaurada por George W Bush: "Cada vez que você solta a bomba/ você mata o Deus em que seu filho nasceu/ Boom! Boom! Boom! Boom!"


Por fim, já é de praxe falar que a banda irlandesa U2 tem canções de cunho altamente político-social. O carismático vocalista Bono Vox já escreveu músicas sobre guerras e tragédias, mas seus companheiros de banda não ficam atrás ao se engajar em programas de ajuda e fundações. O U2 tem canções sobre a guerra bósnia ("Miss Saravejo"). Os lucros da música "Sweetest Thing" foram para um projeto que arrecada fundos para ajudar crianças atingidas pelo desastre nuclear de Chernobil. Com o Green Day, lançaram "The Saints Are Coming" para também arrecadas lucros para as vítimas do furação Katrina, de 2005, em Nova Orleans. A música faz alusão aos aviões que traziam comida para os atingidos.



Ah, se todo artista usasse sua voz assim!

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