quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Festivais: uma análise.


Se festival de música ao vivo parecia ser coisa de gringo no início de década passada, isso ficou para trás. Os dois maiores festivais que aconteceram nos últimos 12 meses provam que o povo brasileiro não só se habituou com a ideia, como aprendeu a apreciar esse tipo de entretenimento. 

A quarta edição do Rock in Rio, que ocorreu em Setembro de 2011, levou 353 mil pessoas para a cidade do Rock na zona oeste da cidade. Em São Paulo, 135 mil paulistas compareceram em peso para dois dias da versão brasileira do Lollapalooza. 

Os tempos da indústria mudaram. Havia uma escassez de shows clara há 5 anos. Não era o brasileiro que não tinha amor pela música lá de fora, mas na verdade, eram as empresas que não viam por quê  (em termos financeiros, obviamente) trazer os artistas para cá. 

Agora, a situação é outra - o Brasil está em evidência, tem Copa, tem Olimpíada - a economia do país está aquecida. Atualmente, as empresas, como a Live Nation, querem trazer os artistas. Dá lucro. No entanto, não é só botar o dinheiro e pronto, temos um festival. A organização do evento começa a trabalhar dia e noite meses antes, para que nada saía diferente do esperado. 

Franco Trotta fazia parte da produção da última edição do Rock in Rio, além de ter sido enviado para o último evento em Lisboa. Perguntado sobre como a produtora vai formando o time de artistas que não necessiariamente fecharão a proposta, ele conta que o primeiro passo para se montar um festival é ter o patrocínio de grandes empresas. Não é difícil lembrar: quem foi a edição passada do Rock in Rio viu stands de bancos, refrigerantes e até de produtos tecnológicos.

Depois que a parte financeira está (um pouco mais) assegurada, a produção começa a seleção dos artistas. Há uma sondagem inicial nas gravadoras, em que elas dizem quais artistas estão disponíveis para turnê. O produtor conta também que para o palco principal, só entram na negociação os músicos que estão em grandes gravadoras, as major labels. 

Os contratos são revistos diariamente durante semanas por um departamento específico. A lista de possíveis atrações vai diminuindo conforme as propostas de melhor custo benefício entram. As negociações falham muitas vezes porque um artista pede dinheiro demais por sua apresentação ou porque alguém já fechou contrato antes, não havendo mais espaço livre. Assim, o número vai diminuindo até que se chega no line-up, que é a lista de atrações do evento. 

A mobilização de fãs, no entanto, não tem tanta atenção quanto se pensa. É claro que eles podem se organizar, mandar centenas de recados pelo Twitter ou Facebook de uma gravadora, pedindo pelos seus artistas preferidos na próxima edição. Porém, se não houver negociação ou se a conta não fechar, os pedidos, muitas vezes desesperados,  não têm tanto peso assim. 

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Confira a segunda parte da reportagem amanhã, às 11h, aqui no blog!

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